segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Os Amish: Uma visita ao século 18 (trecho)


Eles não podem ter carro, telefone ou TV. Seguem uma religião avessa à tecnologia. Mas os amish já começam a empreender. Entenda como seus hábitos antigos ajudam nos negócios.
Daqui a 100 anos, os historiadores que quiserem traçar um retrato fiel de como vivia um americano em 2010 devem passar longe da cidade de Lancaster, no estado da Pensilvânia. Distante 200 quilômetros de Nova York, ela é uma exceção no mundo contemporâneo. No acostamento das pavimentadas rodovias que levam à cidade, charretes passam conduzidas por sujeitos de chapéu preto e barba comprida. O visitante que chega ao centro tem a impressão de entrar no cenário de um filme de época. Além dos barbudos, muitas mulheres usam vestidos pretos e véus que lhes cobrem a cabeça. No ônibus 13, que faz o trajeto entre o centro de Lancaster e a área rural, elas falam e riem de forma discreta. Mas alto o suficiente para se notar que a língua não é o inglês. Se faltava alguma prova contundente de que Lancaster não é um vilarejo do interior americano do século 21, ela está nas placas de grandes redes de varejo, como Walmart e Target, que trazem a indicação “estacionamento para cavalos e buggies”. Lá, meia dúzia de cavalos come feno enquanto seus donos fazem compras.
A impressão de que se entrou num túnel do tempo deve-se às origens de pelo menos 30% das pessoas que vivem na região de Lancaster. Elas pertencem à ordem dos amish, um grupo religioso conservador consolidado no século 18, na Europa, que migrou para os Estados Unidos fugindo de perseguições. Repleto de terras férteis que poderiam lhes garantir o sustento por meio da agricultura, o estado da Pensilvânia foi o primeiro lugar onde os imigrantes aportaram. No início, chegavam em pequenos grupos e não passavam de 3 mil pessoas. Mas tal qual pregam os versos da Bíblia, eles cresceram e se multiplicaram. Os amish formam hoje uma comunidade de 250 mil pessoas, que se distribui ao longo de 27 estados americanos e parte do Canadá. Em Lancaster vive a maior parte: cerca de 60 mil.

CRENÇA E NEGÓCIO
Desde os primeiros imigrantes, os amish dedicaram-se essencialmente à agricultura e à pecuária. Orientados pelas regras do Novo Testamento, eles conseguiram manter um estilo de vida e de trabalho do século 18, com restrições impensáveis para a maioria dos americanos hoje. Nada de energia elétrica, por exemplo, que é proibida dentro de casa. Telefone? Só o público. Veículos motorizados? Apenas carona ou ônibus. Taciturnos, vestem-se de forma simples, sem nenhum acessório que remeta à vaidade, como cinto, trocado pelo suspensório.
Uma transformação radical, porém, está começando a mudar a organização secular dessa comunidade. Todas as regiões onde os amish se encontram começaram a testemunhar o surgimento de uma enxurrada de novos negócios capitaneados por esses religiosos. A responsável pelo movimento é uma nova geração de empreendedores, que está deixando para trás o trabalho no setor primário e passando a montar os próprios negócios. Já são ao todo 9 mil empreendimentos, a metade aberta nos últimos cinco anos. Esse tempo foi suficiente para que a maioria dos amish já não tenha mais a agricultura como principal fonte de renda.
Conhecidos pelo extremo rigor quanto à adoção de novas tendências, os amish estão levando seu modo simples de vida e suas crenças para os negócios que administram – com todas as vantagens e desvantagens que isso possa trazer. Nenhum empresário amish ilustra tão bem o novo cenário quanto Amós Miller, 32 anos. Há cinco anos ele transformou a fazenda do pai na Miller Farm, uma produtora e distribuidora de produtos orgânicos que chega a 26 estados. Mesmo tendo de gerir uma empresa de alcance nacional, Miller não tem carro, não usa telefone celular – e jamais se sentou diante de um computador. Miller também não tem nenhuma educação formal em negócios, já que os amish param de estudar na oitava série. “Não me sinto frustrado por não usar esses meios de comunicação modernos. Meu negócio não é dependente de computadores e eletrônicos, mas de produtos e pessoas”, diz ele.
Esse recente espírito empreendedor está chamando a atenção de estudiosos do mundo da administração. Mesmo lidando com restrições que fariam enlouquecer qualquer executivo que não consegue mais viver sem e-mail, os resultados que os amish obtêm com seus empreendimentos são espantosos: apenas 10% dos negócios fracassam nos cinco primeiros anos de vida. A média americana é cinco vezes maior. Metade dos novos negócios não sobrevive a esse mesmo período.
Mas num contexto econômico que preza a inovação, as novas tecnologias e a comunicação instantânea, como os amish conseguem prosperar? Uma observação mais próxima do modo como essa comunidade vive, se relaciona e gere seus negócios pode dar a resposta.
Nas rodovias de Lancaster, carros andam ao lado de charretes, típico transporte amish.

Notícias Cristãs com informações da Época

domingo, 16 de janeiro de 2011

Onde estão os malvados?

-
Quando Charles Lamb era ainda um pequeno menino, sua irmã Mary levou-o para uma caminhada em um cemitério. A precoce criança, que já começava a ler, reparou o que estava escrito nos túmulos: "virtuoso", "caridoso", "amado", e assim por diante. Quando eles estavam deixando o lugar, o menino perguntou à irmã: "Mary, onde Estão enterradas as pessoas malvadas e desobedientes?"
-
(Charles Lamb - 1775-1834 - poeta
e crítico literário)

Editora lança “A Bíblia do Diabo”

Criado no século XIII, o Codex Gigas (Livro Gigante) é o maior manuscrito medieval sobre o qual se tem notícia no mundo, com 90 cm de comprimento e 75 kg. O fato de trazer em seu conteúdo uma ilustração do demônio tornou-o conhecido como “A Bíblia do Diabo”. Nele, homens da Igreja e alquimistas procuravam a iluminação – ou o caminho para as trevas. Diz-se, ao longo dos séculos, que teria sido escrito em uma única noite, trazendo poder a quem conseguir tocá-lo.
Diante de um tema tão instigante, é natural que surjam, em todo o mundo, especulações sobre a origem do manuscrito - ainda cercada de mistérios - como também sobre quem o escreveu e com que motivos. O fascínio pelo Codex Gigas deu início, também, ao livro A Bíblia do Diabo (Editora Planeta, 512 pág, R$ 49,90), de Richard Dübell. A trama, envolvente, combina mistério, romance e suspense em torno da busca pelo manuscrito.
A partir de uma história real, o autor cria um romance pontuado por suspense, envolvendo o leitor desde a primeira página. Conforme a trama se desenvolve, personagens ficcionais interagem com nomes históricos, entre eles o Cardeal Cervantes de Gaete (Arcebispo de Tarragona), Melchior Khlesl (bispo de Wiener Neustadt e, em seguida, de Viena), o Papa Clemente VIII (Pontífice da Igreja Católica de 30 de janeiro de 1592 a 5 de março de 1605), John Dee e Edward Kelley (alquimistas ingleses e astrólogos da corte do imperador Rodolfo II), entre outros.

Segredos e influência
Em um convento semidestruído na cidade de Boêmia, em 1572, Andrej, aos oito anos, é testemunha de um terrível banho de sangue: dez pessoas, entre elas seus pais, são assassinadas. Ele consegue fugir, levando o Codex Gigas, um dos segredos mais bem guardados da Igreja, que uma secreta sociedade dos monges quer proteger a todo custo - o convento abriga um documento que custou a vida de três papas e que parece ter o poder de anunciar o fim do mundo. Sete monges negros vigiam o grande manuscrito e matam todos aqueles que sabem demais a respeito dele.
Anos depois do massacre, um grupo de altos religiosos da Igreja Católica envia um padre à corte do imperador Rodolfo, com o objetivo de encontrar o exemplar original da Bíblia do Diabo. Para cumprir a missão, padre Xavier não hesita em usar os próprios contatos e influência aliados a uma capacidade singular de manipular qualquer um que se colocar em seu caminho.

AUTOR
Richard Dübell nasceu em 1962 e vive com a mulher e dois filhos em Landshut, na Alemanha. Depois de uma estreia literária de sucesso com seus dois primeiros romances, Der Tuchhändler (O mercador de tecidos) e Der Jahrtausandkaiser (O imperador do milênio), seu terceiro livro, Eine Messe für die Medici (Uma missa para os Medici), proporcionou ao autor integrar, pela primeira vez, a lista dos mais vendidos.

Notícias Cristãs com informações do Diário de Cuiabá

Frase do dia

-
"se eu fosse te recomendar uma religião para lhe fazer sentir confortavel certamente não lhe recomendaria o Cristianismo"
-
C.S. Lewis

Ex-bispos anglicanos casados são ordenados padres pelo Vaticano


A Santa Sé criou neste sábado uma ordenação no território da Inglaterra e Gales para pastores e fiéis anglicanos que expressaram o desejo de entrar em "plena e visível" comunhão com a Igreja Católica e ordenou padres três ex-bispos anglicanos, segundo informou o Vaticano em comunicado.
A nova estrutura, chamada Ordinariato Pessoal de Nossa Senhora de Walsingham, terá como responsável o reverendo Keith Newton, casado e pai de três filhos e que, junto com sua mulher, foi amparado em comunhão pelo catolicismo na Catedral de Westminster em 1º de janeiro.
"Um Ordinariato Pessoal é uma estrutura canônica que permite uma reunião de forma corporativa, que possibilita a anglicanos entrar em plena comunhão com a Igreja Católica, conservando os elementos de seu característico patrimônio anglicano", explica o comunicado da Santa Sé.
Além disso, neste sábado, na Catedral católica de Westminster, em Londres, o arcebispo de Westminster, Vincent Nichols, ordenou padres três ex-bispos anglicanos: Andrew Burnham, John Broadhurst e o próprio Newton, bispo anglicano desde março de 2002.
"Por razões doutrinais, a Igreja não admite em nenhum caso a ordenação episcopal de homens casados. No entanto, a Constituição Apostólica prevê, sob certas condições, a ordenação de ministros anglicanos já casados como sacerdotes católicos", explica o comunicado.
Estes três padres se encarregarão da preparação dos primeiros grupos de anglicanos da Inglaterra e Gales que na Páscoa serão amparados pela Igreja Católica, assim como do acompanhamento dos ministros religiosos que estão se preparando para serem ordenados no sacerdócio católico na ocasião de Pentecostes.
A criação deste Ordinariato Pessoal foi formalizada neste sábado pela Congregação para a Doutrina da Fé da Santa Sé com base na Constituição Apostólica "Anglicanorum coetibus", de novembro de 2009, e após uma consulta com a Conferência Episcopal da Inglaterra e Gales.
Esta Constituição foi aprovada pela Santa Sé para acolher os fiéis tradicionalistas anglicanos contrários às medidas progressistas da Comunhão Anglicana, como a ordenação de mulheres e de homossexuais como bispos.
Entre 30 e 50 bispos e uma centena de paróquias mostraram seu desejo de entrar na Igreja Católica Apostólica Romana, que abandonaram em 1534 quando o Rei da Inglaterra Henrique VIII (1491-1547) não conseguiu junto ao papa Clemente VII (1478-1534) a anulação de seu casamento com Catarina de Aragão e criou a Igreja da Inglaterra, da qual se proclamou Chefe.

Notícias Cristãs com informações da EFE

Protestante geneticista dirigirá Academia de Ciências do Vaticano.

Protestante geneticista dirigirá Academia de Ciências do Vaticano.


O Papa Bento XVI nomeou um não católico, o Prêmio Nobel Werner Arber, um protestante suíço, como novo presidente da Academia pontifical de Ciências, anunciou neste sábado a Santa Sé em comunicado. Trata-se de uma inovação na história da instituição, fundada em 1603, segundo a agência de informações religiosas I.Media.
Arber, 81 anos, geneticista e especialista em biologia molecular, sucede ao italiano Nicola Cabibbo, falecido em agosto passado. O cientista suíço, mestre no Biozentrum da Universidade de Bâle obteve o Prêmio Nobel de Medicina em 1978 pela descoberta da enzima de restrição - um mecanismo de defesa das bactérias ante a agentes infecciosos - junto com os americanos Hamilton O. Smith e Daniel Nathans. É membro da Academia pontifical desde maio de 1981 e participa de seu conselho de direção. Nos anos 1960, Arber também descobriu enzimas que permitem cortar o DNA, suporte do código genético, em locais precisos e em partes menores, tais como verdadeiras "tesouras moleculares".
Trinta cientistas que receberam o Nobel fazem parte da Academia pontifical de Ciências, herdeira da Academia de Lyunx, fundada pelo príncipe mecenas Federico Cesi, promotor do telescópio de Galileu. A instituição se interessa pela pesquisa científica fundamental e por problemas da ética, principalmente nas questões ambientais. Os 80 cientistas que a compõe são todos nomeados pelo papa.

Notícias Cristãs com informações do Terra

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Última Mensagem de John Stott

Meus amigos, leiam e reflitam sobre a última mensagem deste grande referencial mundial de pregador, pastor, teólogo e sobretudo homem de Deus que tínhamos e infelizmente veio a falecer recentemente. Nesses novos tempos onde os pregadores se corrompem, os fiéis dão todo o seu dinheiro em troca de experiências emocionais e irracionais, e os antigos referenciais se vendem nas televisões, precisamos tornar ao Evangelho simples, puro e sóbrio que é retratado nesta mensagem. Vamos ler e absorver cada palavra.

Mensagem de John Stott em Keswick

Dr. John Stott — “O Paradigma: Tornando-nos Mais Semelhantes a Cristo”. Sermão pregado na Convenção de Keswick em 17 de julho de 2007

Lembro-me muito claramente de que há vários anos, sendo um cristão ainda jovem, a questão que me causava perplexidade (e a alguns amigos meus também) era esta: Qual é o propósito de Deus para o seu povo? Uma vez que tenhamos nos convertido, uma vez que tenhamos sido salvos e recebido vida nova em Jesus Cristo, o que vem depois? É claro que conhecíamos a famosa declaração do Breve Catecismo de Westminster: “O fim principal do homem é glorificar a Deus, e gozá-lo para sempre”. Sabíamos disso e críamos nisso. Também refletíamos sobre algumas declarações mais breves, como uma de apenas sete palavras: “Ama a Deus e ao teu próximo”. Mas de algum modo, nenhuma delas, nem outra que pudéssemos citar, parecia plenamente satisfatória. Portanto, quero compartilhar com vocês o entendimento que pacificou minha mente à medida que me aproximo do final de minha peregrinação neste mundo. Esse entendimento é: Deus quer que seu povo se torne semelhante a Cristo. A vontade de Deus para o seu povo é que sejamos conformes à imagem de Cristo.

Sendo isso verdade, quero propor o seguinte: em primeiro lugar, demonstrarmos a base bíblica do chamado para sermos conformes à imagem de Cristo; em segundo, extrairmos do Novo Testamento alguns exemplos; em terceiro, tirarmos algumas conclusões práticas a respeito. Tudo isso relacionado a nos assemelharmos a Cristo.

Então, vejamos primeiro a base bíblica do chamado para sermos semelhantes a Cristo. Essa base não se limita a uma passagem só. Seu conteúdo é substancial demais para ser encapsulado em um único texto. De fato, essa base consiste de três textos, os quais, aliás, faríamos muito bem em incorporar conjuntamente à nossa vida e visão cristã: Romanos 8:29, 2 Coríntios 3:18 e 1 João 3:2. Vamos fazer uma breve análise deles.

Romanos 8:29 diz que Deus predestinou seu povo para ser conforme à imagem do Filho, ou seja, tornar-se semelhante a Jesus. Todos sabemos que Adão, ao cair, perdeu muito — mas não tudo — da imagem divina conforme a qual fora criado. Deus, todavia, a restaurou em Cristo. Conformar-se à imagem de Deus significa tornar-se semelhante a Jesus: O propósito eterno de predestinação divina para nós é tornar-nos conformes à imagem de Cristo.

O segundo texto é 2 Coríntios 3:18: “E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito”. Portanto é pelo próprio Espírito que habita em nós que somos transformados de glória em glória — que visão magnífica! Nesta segunda etapa do processo de conformação à imagem de Cristo, percebemos que a perspectiva muda do passado para o presente, da predestinação eterna de Deus para a transformação que ele opera em nós agora pelo Espírito Santo. O propósito eterno da predestinação divina de nos tornar como Cristo avança, tornando-se a obra histórica de Deus em nós para nos transformar, por intermédio do Espírito Santo, segundo a imagem de Jesus.

Isso nos leva ao terceiro texto: 1 João 3:2: “Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é”. Não sabemos em detalhes como seremos no último dia, mas o que de fato sabemos é que seremos semelhantes a Cristo. Não precisamos saber de mais nada além disso. Contentamo-nos em conhecer a verdade maravilhosa de que estaremos com Cristo e seremos semelhantes a ele, eternamente.

Aqui há três perspectivas: passado, presente e futuro. Todas apontam na mesma direção: há o propósito eterno de Deus, pelo qual fomos predestinados; há o propósito histórico de Deus, pelo qual estamos sendo transformados pelo Espírito Santo; e há o propósito final ou escatológico de Deus, pelo qual seremos semelhantes a ele, pois o veremos como ele é. Estes três propósitos — o eterno, o histórico e o escatológico — se unem e apontam para um mesmo objetivo: a conformação do homem à imagem de Cristo. Este, afirmo, é o propósito de Deus para o seu povo. E a base bíblica para nos tornarmos semelhantes a Cristo é o fato de que este é o propósito de Deus para o seu povo.

Prosseguindo, quero ilustrar essa verdade com alguns exemplos do Novo Testamento. Em primeiro lugar, creio ser importante que nós façamos uma afirmação abrangente como a do apóstolo João em 1 João 2:6: “Aquele que diz que permanece nele, esse deve também andar assim como ele andou”. Em outras palavras, se nos dizemos cristãos, temos de ser semelhantes a Cristo. Este é o primeiro exemplo do Novo Testamento: temos de ser como o Cristo Encarnado.

Alguns de vocês podem ficar horrorizados com essa idéia e rechaçá-la de imediato. “Ora”, me dirão, “não é óbvio que a Encarnação foi um evento absolutamente único, não sendo possível reproduzi-lo de modo algum?” Minha resposta é sim e não. Sim, foi único no sentido de que o Filho de Deus revestiu-se da nossa humanidade em Jesus de Nazaré, uma só vez e para sempre, o que jamais se repetirá. Isso é verdade. Contudo, há outro sentido no qual a Encarnação não foi um evento único: a maravilhosa graça de Deus manifestada na Encarnação de Cristo deve ser imitada por todos nós. Nesse sentido, a Encarnação não foi única, exclusiva, mas universal. Somos todos chamados a seguir o supremo exemplo de humildade que ele nos deu ao descer dos céus para a terra. Por isso Paulo diz em Filipenses 2:5-8: “Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz”. Precisamos ser semelhantes a Cristo em sua Encarnação no que diz respeito à sua admirável humildade, uma humilhação auto-imposta que está por trás da Encarnação.

Em segundo lugar, precisamos ser semelhantes a Cristo em sua prontidão em servir. Agora, passemos de sua Encarnação à sua vida de serviço; de seu nascimento à sua vida; do início ao fim. Quero convidá-los a subir comigo ao cenáculo onde Jesus passou sua última noite com os discípulos, conforme vemos no evangelho de João, capítulo 13: “Tirou a vestimenta de cima e, tomando uma toalha, cingiu-se com ela. Depois, deitou água na bacia e passou a lavar os pés aos discípulos e a enxugar-lhos com a toalha com que estava cingido”. Ao terminar, retomou seu lugar e disse-lhes: “Ora, se eu, sendo o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Porque eu vos dei o exemplo” — note-se a palavra — “para que, como eu vos fiz, façais vós também”.

Há cristãos que interpretam literalmente esse mandamento de Jesus e fazem a cerimônia do lava-pés em dia de Ceia do Senhor ou na Quinta-feira Santa — e podem até estar certos em fazê-lo. Porém, vejo que a maioria de nós fez apenas uma transposição cultural do mandamento de Jesus: aquilo que Jesus fez, que em sua cultura era função de um escravo, nós reproduzimos em nossa cultura sem levarmos em conta que nada há de humilhante ou degradante em o fazermos uns pelos outros.

Em terceiro lugar, temos de ser semelhantes a Cristo em seu amor. Isso me lembra especificamente Efésios 5:2: “Andai em amor, como também Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave”. Observe que o texto se divide em duas partes. A primeira fala de andarmos em amor, um mandamento no sentido de que toda a nossa conduta seja caracterizada pelo amor, mas a segunda parte do versículo diz que ele se entregou a si mesmo por nós, descrevendo não uma ação contínua, mas um aoristo, um tempo verbal passado, fazendo uma clara alusão à cruz. Paulo está nos conclamando a sermos semelhantes a Cristo em sua morte, a amarmos com o mesmo amor que, no Calvário, altruistamente se doa.

Observe a idéia que aqui se desenvolve: Paulo está nos instando a sermos semelhantes a Cristo na Encarnação, ao Cristo que lava os pés dos irmãos e ao Cristo crucificado. Esses três acontecimentos na vida de Cristo nos mostram claramente o que significa, na prática, sermos conformes à imagem de Cristo.

Em quarto lugar, temos de ser semelhantes a Cristo em sua abnegação paciente. No exemplo a seguir, consideraremos não o ensino de Paulo, mas o de Pedro. Cada capítulo da primeira carta de Pedro diz algo sobre sofrermos como Cristo, pois a carta tem como pano de fundo histórico o início da perseguição. Especialmente no capítulo 2 de 1 Pedro, os escravos cristãos são instados a, se castigados injustamente, suportarem e não retribuírem o mal com o mal. E Pedro prossegue dizendo que para isto mesmo fomos chamados, pois Cristo também sofreu, deixando-nos o exemplo — outra vez a mesma palavra — para seguirmos os seus passos. Este chamado para sermos semelhantes a Cristo em meio ao sofrimento injusto pode perfeitamente se tornar cada vez mais significativo à medida que as perseguições se avolumam em muitas culturas do mundo atual.

No quinto e último exemplo que quero extrair do Novo Testamento, precisamos ser semelhantes a Cristo em sua missão. Tendo examinado os ensinos de Paulo e de Pedro, veremos agora os ensinos de Jesus registrados por João. Em João 17:18, Jesus, orando, diz: “Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo”, referindo-se a nós. E na Comissão, em João 20:21, Jesus diz: “Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio”. Estas palavras carregam um significado imensamente importante. Não se trata apenas da versão joanina da Grande Comissão; é também uma instrução no sentido de que a missão dos discípulos no mundo deveria ser semelhante à do próprio Cristo. Em que aspecto? Nestes textos, as palavras-chave são “envio ao mundo”. Do mesmo modo como Cristo entrou em nosso mundo, nós também devemos entrar no “mundo” das outras pessoas. É como explicou, com muita propriedade, o Arcebispo Michael Ramsey há alguns anos: “Somente à medida que sairmos e nos colocarmos, com compaixão amorosa, do lado de dentro das dúvidas do duvidoso, das indagações do indagador e da solidão do que se perdeu no caminho é que poderemos afirmar e recomendar a fé que professamos”.

Quando falamos em “evangelização encarnacional” é exatamente disto que falamos: entrar no mundo do outro. Toda missão genuína é uma missão encarnacional. Temos de ser semelhantes a Cristo em sua missão. Estas são as cinco principais formas de sermos conformes à imagem de Cristo: em sua Encarnação, em seu serviço, em seu amor, em sua abnegação paciente e em sua missão.

Quero, de modo bem sucinto, falar de três conseqüências práticas da assemelhação a Cristo.

Primeira: A assemelhação a Cristo e o sofrimento. Por si só, o tema do sofrimento é bem complexo, e os cristãos tentam compreendê-lo de variados pontos de vista. Um deles se sobressai: aquele segundo o qual o sofrimento faz parte do processo da transformação que Deus faz em nós para nos assemelharmos a Cristo. Seja qual for a natureza do nosso sofrimento — uma decepção, uma frustração ou qualquer outra tragédia dolorosa —, precisamos tentar enxergá-lo à luz de Romanos 8:28-29. Romanos 8:28 diz que Deus está continuamente operando para o bem do seu povo, e Romanos 8:29 revela que o seu bom propósito é nos tornar semelhantes a Cristo.

Segunda: A assemelhação a Cristo e o desafio da evangelização. Provavelmente você já se perguntou: “Por que será que, até onde percebo, em muitas situações os nossos esforços evangelísticos freqüentemente terminam em fracasso?” As razões podem ser várias e não quero ser simplista, mas uma das razões principais é que nós não somos parecidos com o Cristo que anunciamos. John Poulton, que abordou o tema num livreto muito pertinente, intitulado A Today Sort of Evangelism, escreveu:

“A pregação mais eficaz provém daqueles que vivem conforme aquilo que dizem. Eles próprios são a mensagem. Os cristãos têm de ser semelhantes àquilo que falam. A comunicação acontece fundamentalmente a partir da pessoa, não de palavras ou idéias. É no mais íntimo das pessoas que a autenticidade se faz entender; o que agora se transmite com eficácia é, basicamente, a autenticidade pessoal”.

Isto é assemelhar-se à imagem de Cristo. Permitam-me dar outro exemplo. Havia um professor universitário hindu na Índia que, certa vez, identificando que um de seus alunos era cristão, disse-lhe: “Se vocês, cristãos, vivessem como Jesus Cristo viveu, a Índia estaria aos seus pés amanhã mesmo”. Eu penso que a Índia já estaria aos seus pés hoje mesmo se os cristãos vivessem como Jesus viveu. Oriundo do mundo islâmico, o Reverendo Iskandar Jadeed, árabe e ex-muçulmano, disse: “Se todos os cristãos fossem cristãos — isto é, semelhantes a Cristo —, hoje o islã não existiria mais”.

Isto me leva ao terceiro ponto: Assemelhação a Cristo e presença do Espírito Santo em nós. Nesta noite falei muito sobre assemelhação a Cristo, mas será que ela é alcançável? Por nossas próprias forças é evidente que não, mas Deus nos deu seu Santo Espírito para habitar em nós e nos transformar de dentro para fora. William Temple, que foi arcebispo na década de 40, costumava ilustrar este ponto falando sobre Shakespeare:

“Não adianta me darem uma peça como Hamlet ou O Rei Lear e me mandarem escrever algo semelhante. Shakespeare era capaz, eu não. Também não adianta me mostrarem uma vida como a de Jesus e me mandarem viver de igual modo. Jesus era capaz, eu não. Porém, se o gênio de Shakespeare pudesse entrar e viver em mim, então eu seria capaz de escrever peças como as dele. E se o Espírito Santo puder entrar e habitar em mim, então eu serei capaz de viver uma vida como a de Jesus”.

Para concluir, um breve resumo do que tentamos pensar juntos aqui hoje: O propósito de Deus é nos tornar semelhantes a Cristo. O modo como Deus nos torna conformes à imagem de Cristo é enchendo-nos do seu Espírito. Em outras palavras, a conclusão é de natureza trinitária, pois envolve o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

Fonte do original em inglês: http://www.langhampartnership.org/2007/08/06/john-stott-address-at-keswick/

Tradução: F. R. Castelo Branco Outubro 2007

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

-
"Esteja em guerra com seus vícios, em paz com seus vizinhos, e deixe que o novo ano faça de você um homem melhor"
-
Benjamin Franklin

sábado, 12 de junho de 2010

3 Frases

-
"Se você for até onde pode ver, será capaz de ver o
suficiente para ir mais longe" (John Wooden)
-
"É melhor fazer
alguma coisa imperfeitamente do que não fazer nada perfeitamente"
(Robert Schuller)
-
"Todas as coisas difíceis
têm sua origem nas que são fáceis e as grandes nas que são
pequenas"
(Lao-Tzu)

-

terça-feira, 8 de junho de 2010

Obsoleta?

-
Enquanto um africano, canibal convertido, lia sentado a sua
Bíblia, um comerciante europeu passou e lhe perguntou o que estava fazendo. "Lendo a Bíblia" foi a sua resposta. "Este livro está obsoleto em meu país", disse o comerciante.
"Se
ele fosse obsoleto aqui", disse o africano,"você teria sido comido há muito tempo atrás."
-

domingo, 6 de junho de 2010

A Bíblia é mais antiga que dizem

O consenso actual é que a Bíblia começou a ser redigida cerca de seis séculos antes de Cristo, contudo uma descoberta recente indica que poderá ter até mais quatrocentos anos.
Uma peça de barro com inscrições está na origem da nova teoria. O Prof. Gershon Galil conseguiu decifrar as inscrições, demonstrando que são uma forma muito primitiva de hebraico, o que em si mesmo constitui uma surpresa uma vez que se pensava que o hebraico escrito só tinha sido desenvolvido mais tarde.
O conteúdo, segundo Galil, “diz respeito a escravos, viúvas e órfãos”, e é típico de textos bíblicos, reflectindo ideias que eram completamente desconhecidas nas culturas circundantes, o que reforça a ideia de que terá sido inspirado pelo texto bíblico.
Até agora defendia-se que a bíblia não podia ter sido escrita antes do século VI a.C. porque só nessa altura é que surgiu o hebraico escrito, mas esta descoberta coloca em dúvida essa teoria.
O académico adianta que a descoberta foi feita numa pequena comunidade, pelo que se existiam escribas nessa zona é natural que a escrita já tivesse suficientemente desenvolvida para lidar com textos complexos como a Bíblia.

Renascença/Notícias Cristãs

JERUSALÉM, Israel — A mais antiga inscrição hebraica, que data do século X antes da era cristã, foi decifrada por uma equipe de arqueólogos, anunciou nesta quinta-feira o Departamento de Estudos Bíblicos da Universidade de Haifa (norte de Israel).
Segundo um comunicado da universidade, o arqueólogo israelense Gershon Galil conseguiu provar que a inscrição, feita a tinta em um fragmento de cerâmica, datado do reinado de David, é o mais antigo texto hebraico já descoberto.
O fragmento de 15 por 16,5 centímetros foi encontrado há um ano e meio, em escavações coordenadas por otro arqueólogo, Yosef Garfinkel, no sítio de Khirbet Qeyfa, perto do vale de Elah, na região de Jerusalém.
A inscrição fala sobre o tratamento dedicado aos pobres, escravos, estrangeiros, viúvas e órfãos, explica o comunicado.
As palavras utilizadas são especificamente hebraicas e os conceitos aos que se referem estão relacionados à Bíblia.

AFP/Notícias Cristãs



Arca de Noé encontrada na Turquia


Grupo de chineses e turcos teria localizado vestígios da mítica embarcação no Monte Ararat.
Um grupo de arqueólogos chineses e turcos afirmam ter localizado a bíblica Arca de Noé no topo do Monte Ararat, na Turquia, segundo informa nesta terça-feira, 27, a imprensa local.
Um dos membros do grupo, o documentarista chinês Yang Ving disse que foi localizada uma estrutura de madeira antiga a uma altitude de 4 mil metros no Ararat, que está localizado próximo à fronteira com o Irã.
O explorador, membro de uma organização internacional dedicada à busca da mítica embarcação em que Noé e sua família escaparam do dilúvio, afirmou que os vestígios encontrados datam de 4.800 anos atrás.
"Não é 100% seguro que seja a Arca, mas avaliamos que é 99,9%. A estrutura do barco tem muitos compartimentos e isso pode representar os espaços onde os animais foram acomodados", disse Ving em declarações à agência de notícias turca Anadolu.
O especialista também informou que o grupo entrou em contato com o governo da Turquia para pedir proteção ao local onde será feita as escavações e adiantou que solicitará à Unesco que inclua essa região na lista de patrimônios da humanidade.
Não é a primeira vez que um grupo de arqueólogos afirma ter encontrado a Arca de Noé no Monte Ararat, o mais alto da Turquia, onde a Bíblia narra que Noé desembarcou após as águas baixarem depois do Dilúvio.

EFE/Reuters/Notícias Cristãs

Para Pensar 3

-
"Nós temos sido os maiores recebedores da generosidade dos Céus; nós fomos preservados em paz e prosperidade nestes muitos anos; nós temos crescido em número, riqueza e poder como nenhuma outra nação.
Mas nós esquecemos de Deus. Nós esquecemos da Mão gentil que nos preservou em paz e que nos multiplicou, enriqueceu e fortaleceu. Nós imaginamos,vaidosamente, na falsidade de nossos corações, que todas estas coisas eram produzidas por alguma sabedoria e virtude superiores.
Intoxicados com o sucesso, nós nos tornamos muito auto-suficientes para sentir a necessidade da graça redentora e orgulhosos para orar ao Deus que nos fez."
-
(Abraão Lincoln)

Para Pensar 2

-
Durante a Depressão, Charles Darrow não conseguia encontrar trabalho. Apesar de estar sem dinheiro e de sua esposa estar esperando um bebê, ele não se mostrou desencorajado. Todas as noites se divertia com um jogo inventado por ele. O jogo lembrava umas férias felizes que haviam tido em uma outra cidade. Ele criou uma praça, com um pedaço de papelão e fingia ser rico. Nas suas "propriedades" ele colocou miniaturas de casas e hotéis que esculpiu com pedaços pequenos de madeira.

O jogo, chamado "Monopólio", foi mais tarde comercializado pelos Irmãos Parker e, enfim, fez de Darrow um milionário.
-

Para Pensar

-
Uma pequena fábrica teve que interromper suas operações quando uma peça vital de seu maquinário quebrou. O mecânico da empresa não conseguiu resolver o problema e precisaram chamar um perito. Ele examinou a máquina por alguns momentos e, então, pegou um pequeno martelo e bateu na máquina em um
determinado lugar. Tudo voltou a funcionar perfeitamente. O perito apresentou uma conta de 100 dólares. O proprietário ficou furioso ao ver o valor e exigiu que ele apresentasse uma conta especificada.

O perito preencheu a nota como
segue: 1 dólar para bater na máquina e 99 dólares para saber onde bater.
-